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Definição: É definida como qualquer grau de intolerância à glicose, cujo início ocorre durante a gestação. O crescimento fetal excessivo (macrossomia fetal), por sua vez, pode ocorrer quando o bebê é exposto a altas quantidades de glicose no período intra-uterino e pode ocasionar em partos traumáticos, hipoglicemia neonatal e até mesmo obesidade e diabetes na vida adulta.
Pode ocorrer em qualquer mulher, porém é mais comum em idade materna avançada.
Fisiopatologia: A glicose durante a gravidez passa por difusão facilitada para a placenta em que seus hormônios são todos contrarreguladores da ação da insulina. Por sua vez, a grávida fica hiperglicêmica para que a glicose passe para o feto por transporte passivo e promova a nutrição do concepto.
A glicemia aumentada da mãe possui grandes chances de deixar o feto hiperglicêmico o que acarreta em duas consequências para o próprio feto: a hiperglicemia promove o aumento da produção de insulina que é um hormônio anabolizante deixando, por sua vez, o feto anabolizado e o mesmo cresce, pois possui uma analogia com o hormônio de crescimento (GH). A mesma hiperglicemia promove o aumento da hemoglobina glicada estimulando a eritropoiese (processo de síntese de hemácias) em que ocorre maior produção de hemoglobina, maior número de hemácias levando a um feto policitêmico, aumento da viscosidade sanguínea, e por fim morte intra-útero por conta de trombose.
Pelo fato de a presença de sintomas não ser comum, é recomendado às gestantes o rastreamento para diabetes gestacional. O rastreamento é indicado em dois momentos: primeira metade da gestação/até 20 semanas (submeter a gestante a um teste de tolerância oral a glicose para saber como está a glicose de jejum, e após fazer um teste de sobrecarga com 75g de glicose. O parâmetro de glicemia de jejum considerado normal para este período deve ser menor que 92 mg/dl, porém se a gestante apresentar um valor entre 92 e 125 mg/dl, a mesma é diagnosticada com Diabetes Melittus Gestacional. Já se o valor for superior a 125 mg/dl, dá-se o diagnóstico de que a gestante é diabética prévia) e segunda metade da gestação (submeter a gestante aos mesmos testes já mencionados).
Diagnóstico: Valores maiores ou iguais a 92 mg/dl no teste de glicemia de jejum ou valores maiores ou iguais a 180 mg/dl e 153 mg/dl, respectivamente 1 e 2 horas após a ingestão de glicose são parâmetros para o diagnóstico da Diabetes Melittus Gestacional.
Vale ressaltar que a dosagem de peptídeo C no cordão umbilical é indicada para grávidas que foram diagnosticadas com Diabetes Melittus Gestacional, pois tal dosagem revela como está a insulina no feto (se estiver elevada, é sinal que o feto se encontra hiperglicêmico e a gestante está descompensada).
OBS: A dosagem de hemoglobina glicada não é muito recomendada por conta da anemia gestacional.
Controle fetal: É recomendada a avaliação semiquantitativa (avaliação do líquido amniótico), a Ultrassonografia precoce, a Ultrassonografia Morfológica de 1° e 2° trimestre de gravidez para todas as gestantes e o Ecocardiograma Fetal (para avaliar hiperfluxo e hipertrofia concêntrica do coração).
OBS: A Ultrassonografia é indicada a cada 4 semanas a partir do 2° trimestre de gestação, pois se o feto estiver descompensado passa a ficar com a circunferência abdominal aumentada.
Quando esse feto deve nascer?
Se estiver com peso acima de 4000g por parto Cesárea e se a gestante compensada estiver com mais de 40 semanas.
Fatores de risco para grávidas: Obesidade, sobrepeso, antecedentes para diabetes e idade maior que 25 anos (certa intolerância a glicose é desenvolvida) e depressão pós-parto.
Complicações: O feto pode apresentar percentil acima de 90 para a idade gestacional (feto classificado em gigante para idade gestacional – GIG), distocia de ombro, síndrome da angústia respiratória, icterícia, hiperinsulinemia, policitemia (aumento do número de hemácias) e até mesmo morte intra-útero. OBS: Filhos de mães diabéticas possuem maior chance de se tornarem diabéticos, hipertensos, e até mesmo de desenvolverem síndrome metabólica no futuro. A gestante pode, se não se submeter adequadamente ao tratamento, desenvolver Diabetes Mellitus tipo 2.
Tratamento: O tratamento consiste em mitigar todas as complicações e diminuir taxas de malformações, uma vez que a glicemia em parâmetros adequados é importante para o fechamento dos folhetos embrionários e diminuir a incidência de aborto.
A meta é atingida com dieta e atividade física (5 vezes por semana). Para isso, é recomendado, através da orientação médica, que a própria gestante meça com um glicosímetro seu perfil glicêmico simples 4 vezes ao dia: em jejum (o valor deve ser inferior a 95 mg/dl) e 1 hora após o café da manhã, 1 hora após o almoço e 1 hora antes do jantar durante uma semana (com valores menores que 140 mg/dl). Ao todo calculam-se 28 medidas (7 dias da semana x 4 medidas/dia).
A tolerância de erros de medida é de aproximadamente 30% e se houver mais de 8 medidas erradas, a terapia com Insulina Humana recombinante (NPH) é indicada (após aplicação, possui duração média de 6-8horas. Por conta disso, a gestante deve medir a glicemia antes do almoço e antes do jantar. Se ocorrerem quadros de hipoglicemia é recomendada a diminuição da dose).
O adoçante do tipo aspartame é indicado para tais pacientes.
Para saber mais e ter um tratamento adequado, consulte um ginecologista.
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