
Definição
É a implantação do óvulo fecundado (blastocisto) fora da superfície endotelial da cavidade uterina (fora do útero). Podendo ser classificada quando sua localização: tubária, abdominal, cervical e intersticial.
São correspondentes a 1% das gestações e é uma das principais causadoras de morte materna no 1º trimestre de gestação, sendo 4 a 10% de todas as mortes maternas.
Geralmente este tipo de gravidez não consegue dar continuidade, gerando em aborto.
Fatores de Risco
- DIP (Doença Inflamatória Pélvica): Podendo chegar a 7% de chance de desenvolver gravidez ectópica;
- DIU (Dispositivo Intrauterino): Caso tenha falha do método contraceptivo;
- Cirurgia tubária prévia: Probabilidade 4 vezes maior de gestação ectópica;
- Antecedente de gestação ectópica: 10 a 20% de ter novamente este tipo de gestação;
- Reprodução assistida: 2 a 5% de chance;
- Anticoncepção de emergência: Alteração da motilidade tubária (deslocamento do zigoto das tubas até o útero).
Sinais e Sintomas
- Dor abdominal;
- Sangramento vaginal;
- Atraso menstrual;
- Sinais de peritonite (inflamação no peritônio);
- Abaulamento de fundo de saco.
Exames Laboratoriais e de Imagem
- Beta-HCG aumentado: <54% em 48 horas;
- Ultrassonografia transvaginal com Doppler: Mostrando massa anexial complexa, fluxo vascular com diminuição da resistência e aumento da velocidade;
- Laparoscopia diagnóstica.
Tratamento Farmacológico
- O metotrexato (MTX) é o mais utilizado no tratamento farmacológico da gravidez ectópica íntegra;
- Pode ser usado intramuscular ou diretamente injetado no saco gestacional.
Administra-se MTX, conforme esquema abaixo:
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Dia 1: Dosagem de beta-HCG + administração de MTX;
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Dia 2: Dosagem de beta-HCG;
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Dia 3: Dosagem de beta-HCG, hemograma completo, enzimas hepáticas e creatinina.
Tratamento Cirúrgico
- Gestação Ectópica Rota (rompimento do embrião): laparotomia com salpingectomia;
- Gestação Ectópica Íntegra (embrião íntegro): Laparoscopia com possibilidade de cirurgia conservadora;
Observação: A gestação ectópica mais comum é a tubária ampular.
Indicações
- Gestação ectópica íntegra de até 4 cm no maior diâmetro;
- Beta-HCG sérico menor ou igual a 5.000 mUl/ml e crescente em 2 dosagens consecutivas (24 a 48 horas);
- Normalidade de hemograma completo, creatinina e enzimas hepáticas;
- Autorização por escrito após esclarecimento de riscos e benefícios do tratamento;
- Títulos de beta-HCG estáveis e ascendentes (até 10.000 ou 15.000 Ul/ml);
- Estabilidade hemodinâmica;
- Desejo de procriação;
- Líquido livre na pelve;
- Beta-HCG de até 5.00 mUl/ml.
Contraindicações
- Sensibilidade reconhecida ao MTX;
- Necessidade de laparoscopia para diagnóstico;
- Impossibilidade de seguimento adequado;
- Compreensão insatisfatória do tratamento proposto.
SEMPRE CONSULTE SEU MÉDICO
NÃO UTILIZE MEDICAÇÃO SEM RECEITA
Fontes
CABAR, Fábio Roberto. Principais temas em obstetrícia - 1ª edição. São Paulo: Medcel, 2018.
Fornazari, Vinicius A. V. Radiologia intervencionista e cirurgia endovascular no tratamento das prenhezes ectópicas. São Paulo: USP, 2014.
https://journal.einstein.br/wp-content/uploads/articles_xml/1679-4508-eins-S1679-45082015000100031/1679-4508-eins-S1679-45082015000100031-pt.x37191.pdf, acessado em 26/06/2019.
LINHARES, José Juvenal. Tratamento de gestação cervical viável com aplicação intra-amniótica de metotrexato: relato de um caso. São Paulo: Revista Brasileira de Obstetrícia, 2006.
http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v28n10/a07v28n10.pdf, acessado em 26/06/2019.

